Plataforma carioca propõe turismo pela diáspora

Por Denise Mota

São bem conhecidos os casos de racismo que se estendem pelo mundo virtual e que contaminam também plataformas famosas de hospedagem planeta afora: de acordo com um estudo da Universidade de Harvard difundido no final do ano passado, por exemplo, negros têm 16% menos chances de serem aceitos em acomodações nos Estados Unidos. Na contramão disso, o Brasil acaba de ganhar uma alternativa que se propõe a oferecer, para a enorme comunidade afrodescendente local e internacional, um turismo pautado pelo sentimento de inclusão e pertencimento. Esse nicho já vem sendo explorado com sucesso há tempos pelos negros norte-americanos.

Em fase de testes, o Diaspora.Black é um serviço que funciona como ponte entre quem deseja hospedar viajantes e moradores dispostos a receber bem turistas vindos de qualquer lugar, especialmente (mas não só, claro) afrodescendentes.

A página inicial da plataforma (Reprodução).
Detalhe da página inicial da plataforma (Reprodução).

“É uma resposta à demanda por uma perspectiva afrocentrada, de respeito a valores culturais e superação de estigmas racistas, em diferentes segmentos – desde agências de viagem a cosméticos, moda, cultura. Também nos baseamos em outro aspecto, de auto-organização, a possibilidade de criar uma estrutura de negr@s visando movimentar a economia dessa população da qual fazemos parte”, diz ao blog Carlos Humberto Silva, um dos fundadores da iniciativa.

Rio, Paris, Nova York

“Há dez anos era muito difícil encontrar cosméticos para a população negra, por exemplo, e hoje há uma diversidade grande desses produtos. É isso o que propomos no segmento de viagens, com um serviço seguro e qualificado para promover encontros que podem fortalecer nossa cultura e identidade negras. O Diaspora.Black não faz distinção de etnia, gênero ou de qualquer tipo, mas seu foco é acolher a população negra, em especial da África e da Europa e Américas, ou, por exemplo, pessoas interessadas no turismo étnico.”

A plataforma está em funcionamento, em fase de testes e ajustes. Até agora tem cadastradas opções de alojamento em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Nova York, Paris e Cidade do México. Carlos afirma que há interessados de outras cidades, mas que, por enquanto, a ideia é ir com calma. “Já é possível se cadastrar, mas nos limitamos a um número pequeno para garantir a segurança da operação.”

A iniciativa é uma criação de jovens empreendedores negros, cuja campanha de financiamento colaborativo –para viabilizar custos de infraestrutura e a realização das oficinas– está em andamento. “Nosso serviço permite a negociação de hospedagem com valores em dinheiro, serviços ou sem cobrança aos viajantes”, diz o cofundador. “Pretendemos estimular negociações solidárias e contrapartidas em serviços, mas ainda estudamos a possibilidade de cobrar uma taxa pelo serviço.”