Terciliano Jr. e Mestre Duda traduzem matriz africana e cotidiano em Salvador

Por Denise Mota

O Museu Afro-Brasileiro (Mafro) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) comemora 35 anos com a exposição de duas referências da arte negra brasileira. Ambos de 77 anos, Terciliano Jr. e Eduardo França –o Mestre Duda– participaram da I e II bienais da Bahia e vêm decodificando em obras de arte, há décadas, a tradição religiosa, cultural e social de origem africana em solo brasileiro.

“Terciliano Jr. – A Matriz Africana em Arte” e “Mestre Duda – Xilogravuras” são parte de uma série de atividades programadas para este ano, em que o museu oferecerá ao público seminários, encontros e oficinas, além de mostras com o acervo permanente e exposições temporárias.

“Ya ô de Nanã”, obra de Terciliano Jr. (Divulgação)

Em acrílico sobre tela, papel e madeira, os trabalhos do soteropolitano Terciliano Jr. retratam elementos simbólicos da liturgia religiosa afro-brasileira. Sobrinho do babalorixá Bernardino Bate Folha (fundador do Terreiro do Bate Folha), o artista plástico –que expôs não só no Brasil, mas nos EUA e na Europa– traduz pictoricamente esse universo por meio de representações de orixás e de objetos, instrumentos e lugares rituais. Por sua vez, em suas xilogravuras, Mestre Duda passeia pelo dia a dia de Salvador. Parte da história da Escola de Belas Artes da UFBA, seus trabalhos integram as comemorações dos 70 anos da universidade. As mostras têm curadoria da professora Graça Teixeira.

Terciliano Jr. – A Matriz Africana em Arte
Mestre Duda – Xilogravuras
Museu Afro-Brasileiro (Antiga Faculdade de Medicina)
Terreiro de Jesus, s/no., Pelourinho, Salvador, tel. (71) 3283-5540
R$ 6 (normal); R$ 3 (meia); entrada grátis para crianças até cinco anos, estudantes e professores da rede pública e da comunidade da UFBA
Até 21 de abril