Museu Afro Brasil recupera tecnologia e design africanos no Brasil escravocrata

Por Denise Mota

Até novembro, a instituição no Parque Ibirapuera, em São Paulo, mostra -por meio de 70 objetos, além de imagens- a contribuição tecnológica dos africanos, tornados escravos no Brasil, para o desenvolvimento de atividades domésticas e com fins comerciais nos séculos XVIII e XIX.

Sob curadoria de Emanoel Araujo, fundador, diretor e curador do museu, “Design e Tecnologia no Tempo da Escravidão” apresenta ao visitante mesas de lapidação de pedras preciosas, forjas de ferreiro, moendas de açúcar, prensas de folha de tabaco, moendas de milho, formas de queijo e rapadura, plainas de marceneiros.

Objetos presentes na exposição “Design e Tecnologia no Tempo da Escravidão” (Divulgação).

“Os preconceitos de muitos cientistas europeus transmitiram ao restante do mundo a impressão de que esses povos não ofereceram uma contribuição relevante para a construção do conhecimento universal. Ao pensarmos nas contribuições dos povos africanos para o conhecimento científico e tecnológico no Brasil, nos defrontamos com certa carência de pesquisas sobre o tema nas academias, bem como de sua divulgação”, afirma Araujo.

“A produção de instrumentos de trabalho, técnicas de edificações e até mesmo de objetos artísticos constitui um legado imprescindível para compreender a história do desenvolvimento tecnológico no Brasil”, acrescenta. “Por muito tempo, interessou aos que escreviam a nossa história reforçar um passado sofrido e ‘coisificado’, com o intuito de cristalizar imagens de uma suposta subalternidade.”

Design e Tecnologia no Tempo da Escravidão
Museu Afro Brasil – av. Pedro Álvares Cabral, s/no.
Parque Ibirapuera – Portão 10, tel. (11) 3320-8900
Entrada: R$ 6; meia: R$ 3; aberto de ter. a dom., das 10h às 17h; grátis aos sábados