Cansada de que toquem seu cabelo? Um videogame afasta as mãos incômodas

Denise Mota

Provavelmente seja das experiências mais comuns entre mulheres negras que usam o cabelo de forma natural ou em estilos considerados mais “exuberantes”, como rastas ou alongamentos com tranças. É inevitável: em algum momento vão tocar seu penteado sem que você espere e sem pedir permissão.

Essa “curiosidade” alheia tão recorrente, invasiva e irritante, que vem sendo refletida pela indústria do entretenimento internacional -alguns exemplos são o filme e a série “Dear White People” ou o manifesto r&b de Solange Knowles (a irmã de Beyoncé) “Don´t Touch My Hair” (“Não toque meu cabelo”, em português), lançado no ano passado -, ganha mais uma forma de exorcismo.

Trata-se do videogame “Hair Nah” (algo como “O cabelo não”), desenvolvido pela diretora de arte Momo Pixel, que trabalha em uma agência de publicidade em Portland (EUA).

Uma das telas do jogo “Hair Nah” (Reprodução).

O jogo tem uma estética que remete a games dos anos 80 e é bastante simples: tudo o que o jogador precisa é ajudar Ava, a protagonista, a tomar seu avião sem que as várias mãos que aparecem na tela toquem seu cabelo. Pode-se escolher o tom da pele, o penteado e o destino de viagem de Ava. A partir daí, basta mover as teclas de seta do computador no sentido em que as mãos de Ava devem se agitar para afastar os bisbilhoteiros.

Em entrevista ao site “On She Goes“, dedicado a mulheres negras que gostam de viajar, a autora afirma que o jogo tem um propósito didático: “Acho que tornará mais digerível essa questão para algumas pessoas. Para outras, claro, será um chamado de atenção. E, para muita gente, um suspiro de alívio. Se visto por crianças, esse jogo pode ser uma lição. Algo como: ´Opa! Guarde suas mãos para você´. Essa é a regra de ouro número um que a gente aprende na escola”.